quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CARA LAVADA

"Enquanto seu filho estava adoecido, Davi orou e jejuou para Deus reverter a situação; depois que a criança morreu, ele lavou o rosto parou de clamar e adorou.
Uma das maiores crises da nossa geração é passar a vida toda na expectativa de coisas que já morreram e que  não irão ressuscitar. Existem coisas que não serão restauradas e nem curadas. Para estas coisas nos restam a certeza que só a graça de Deus nos basta."
(Uânderson Alex)

Todos nós temos uma forma de perceber o ambiente, a realidade em si. Normalmente a leitura que fazemos a cerca dos fatos é sempre mediada pelas nossas expectativas e considerações a cerca do fenômeno. Nisso, construimos nossas fantasias, supostas definições subjetivas a cerca de nossas expectativas. Pois bem, na descrição, Davi tinha expectativas com relação a mudança daquela realidade. Acontece que, conforme se deu, a inércia  o fez abandonar suas expectativas, antes mesmo que as tais se tornassem fantasias, outrossim, viu-se obrigado a abandonar todas as fantasias já criadas com relação ao filho morto.

Assim, ao levantar-se e lavar o rosto, foi para o ato. A saída da inércia se deu então. Levantou e prosseguiu.

Demorou para que eu entendesse a dinâmica.
Foi necessário sair e visualizar o morto com meus próprios olhos. No meu caso, uma princesa que de princesa  não tinha mais nada. A realidade mostrou-me o contrário. 

O cativeiro então se abriu...
Não há mais razões para permanecer!

Posso andar por ai de cara lavada e entender que não há o que esperar do que já morreu. Há novos sonhos para sonhar! 
Estou feliz e satisfeito por alcançar tal entendimento.
Muito aprendizado! Muita evolução.
E vamos que vamos que o tempo não demora...


quinta-feira, 20 de outubro de 2016

ERA AMOR, HOJE É ROLHA!

Tantos pensamentos abundam minha mente. Noite frívola e de total inquietação. 
Lembro-me de minhas últimas palavras em uma conversa no fim de noite: " Não consigo na verdade separar com clareza o que é passado e o que é presente em minha vida. Sou acumulador de momentos!" Tal afirmação trouxe-me pesarosa constatação, a de que sou isso mesmo, um mero colecionador de histórias, plano de fundo de minha existência.

Tenho comigo todos os bons, os medíocres e os piores acontecimentos que me fizeram e fazem ser o  que sou. Nessa toada, parecem se esvair qualquer possibilidade de esquecimento. Juro que tentei, mas não deu.

Pergunto se você já tentou abrir uma garrafa de vinho sem abridor. Garanto que quem já tentou, sistematicamente acabou optando pelo tradicional "afundamento de rolha".  Sim, ao invés de removê-la com grande pressão, o que se faz é afundá-la garrafa à dentro, e garantir a passagem do liquido tão estimado. Contudo, mesmo presa dentro da garrafa, a rolha poderá interromper o fluxo do vinho. Digo mais, nem mesmo depois da extração total da bebida, a pobre rolha haverá de sair do cabalouço de sua terrível sina. Condenada estará a permanecer em um lugar que não o seu, mas que de certa forma também o seu. 

Rolha afundada jamais poderá ser resgatada. O preço disso seria a quebra da garrafa.

Quem nunca se sentiu entupido em seu interior, introjetando um desejo não mais útil para ver escoar em si mesmo o seu melhor.

Pergunto, quem nunca na vida, já se engasgou com palavras não ditas, engolidas a duras penas a fim de manter seu equilíbrio, característica de valor?
Daí depois de bebida a garrafa, já na inquietude do vazio, a gente pergunta: Como arrancar esta rolha maldita? Entulho da alma.

Sinto-me assim, com uma rolha afundada dentro do coração. 
A missão foi cumprida eu sei. Dei conta, haleluiah!
Mas o que eu faço com o "nada" que sobrou? Ademais, uma rolha presa dentro da gente sempre trará alarde para o desfecho que nos foi impróprio. 

Culpa dos abridores escassos? Da impetuosa sede por um gole? Da forma grosseira de se resolver o que se apresenta sem solução? Eu não sei, e já nem importa saber...

Rolha seca, manchada pelo caldo da alegria. Rolha dura, garantidora da permanência sagrada.  Rolha sóbria, de recusa ao descarte. O que viria tu a ser? 

Antes Deus me quebre e arranque o que não tem mais propósito de dentro de mim. Do contrário seguiria roto, entupido em duas direções.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

CARTAS PARA MIM

Já faz tempo que estou ensaiando em lhe dizer algumas palavras. Não é de hoje que venho ruminando algumas ponderações a cerca de tudo que você tem vivido. Primeiro gostaria de destacar sua grande habilidade de suportar as crises que vivencia. Poxa, fico surpresa diante de tanta angustia que ronda seus dias. Por vezes tive certeza que você estagnaria, mas  fiquei tocada com sua capacidade em prosseguir, ainda que ferido e desamparado.
Faço menção a sua incompreendida integridade para com os seus sentimentos. Acho incrível como consegue ingerir suas limonadas, dose a dose, ao seu tempo, enquanto todos te apresentam colheradas gratuitas de mel.

Ninguém melhor que eu para destacar o quanto o estudo do comportamento lhe fez bem. Divisor de águas, eu diria.  Antes você era bem mais impulsivo e via as pessoas apenas pela sua ótica medíocre. Não posso dizer que isso mudou totalmente, até porque desacredito mudanças totais, uma vez que estas fogem ao seu critério de autenticidade. Somos o que somos, mas não precisamos ser como somos. Por hora cabe dizer que nem em meio ao auge dos fracassos sua força é escassa. Só não acostuma com o olho do furacão, okay?
Com amor, sua consciência.

Olá, estou passando para dizer que ainda estou dolorido. Não tem sido fácil reagir ao tempo. Espero que entenda que nem mesmo o pior evento vivenciado por você é páreo ante a forma rude com que você me trata. Anseio pelo dia em que você irá alcançar a compreensão de que não foram as pessoas, nem as coisas que lhe trouxeram má sorte, e sim a forma com que você reagiu a todas elas, com esse senso punidor e introspectivamente amargo, chamando sobre si as dores por não viver o que gostaria e nem da forma que gostaria. Horrível esse seu jeito de se punir sempre que não consegue conciliar a obstinação de uma ideia delirante com a realidade. Me impressiona o espaço que dedica na reconstrução do que não deu certo. Pra você é tão mais fácil se agarrar a dor do desprezo a ter que enxergar uma realidade maquiada pelas impressões de um garoto que ainda briga pelo domínio de seu mundo. Ao contrário do que aparentam os fios brancos do cabelo e os quilos a  mais que carrega, aqui dentro muita coisa continua como era e isso faz com que pareça que a briga pela mudança seja mais minha do que sua. Por aqui ainda insisto em reter o que é importante para você e assim estou a me ocupar do que você já sabe que não tem mais valor. Trago comigo a cada pulsar, a sensação da longa espera, mas espera pelo que? devo perguntar-lhe... Aqui dentro vejo um garoto bom que se apegou ao motivo do sorriso, da boa sensação de aceitação. Mas isso nada mais é do que um fenômeno de repetição com enredos e atores diferentes, mas isso acho que alguém já lhe devia ter dito.
Fique bem, por favor.
Atenciosamente, seu coração.


 
Saudações.
Permita-me neste preâmbulo enfocar o domínio que disponho em sua existência. Sou eu, na maioria das vezes, a responsável pelos seus sentimentos mais profundos. Tenho comigo, devidamente guardada as minúcias que lhe predispõe para isso ou aquilo. Incauto, por acaso não sabes que o que és  resulta na soma de tuas experiências? Acredito que cabe aqui destacar alguns episódios de sua epifania das quais raramente acessas: Lembra-te da paixão de tua infância, a garota loira dos olhos azuis mais linda e popular de todo o mundo. Lembra agora da sua forma sem jeito que lhe impediu de chamá-la para dançar quadrilha na festa da escola. Lembra do que sentiu ao vê-la dançando com outro.  "- Podia (ao invés de queria) ser eu!" Foi o pensamento que te atravessou a festa toda. De lá pra cá foram muitas Jerusas, Brunas e Paulas, objetos de desejo manifesto em outras carcaças. Foram muitos sentimentos de impotência, frustração e desamparo revividos episódios a episódios, sem que você percebesse que na verdade estava à procura do que nunca lhe pertenceu. Calma, que não haja desespero além do conhecido. Boa notícia é que eu sei o quanto você amou, o quanto viveu a intensidade de se estar em paz, nos momentos de equilíbrio. Sei que tens histórias e das boas. Sim, você amou e acreditou ter sido amado. Você chorou. Uma, duas, três vezes. Não se esquivou a dor e nem ao prazer. Lidou com a culpa, com a realização. Teu compromisso com teus princípios certamente te mantém em meio ao caos, e em tudo isso, estou sempre a lhe mostrar o quanto as experiências podem ser pobres quando vivenciadas sem sentido. Orgulho-me de você mas nem sempre do que faz.
Passe mais vezes por aqui.
Ao que subscreve, sua memória.
Ps: Já tinha me esquecido de um episódio ímpar que merece todo destaque nessa tua quermesse de lamentos. Lembra do sonho do incêndio e morte de tua amada? Lembra da dor da despedida precoce? Lembra do desamparo que o equívoco lhe provocou? Lembra da desaprovação pelo episódio atípico? Lembra do choro fictício na praça transpassado para o choro real no colchão ao chão? Lembra da indiferença ao invés do alívio ao perceber que o fato não era real? Lembra dos soluços da alma, da dor da perda inconcebível antes nunca vivida igual? Lembra, por favor, lembra que esse pesar já existiu em outra dimensão e que o agora já não é mais teu. Lembra...


Hei, precisamos nos falar.
Para começo de conversa, sem essa de achar que me controla. Não lhe pertenço e nem você me pertence. Prezaremos por uma relação amistosa, pode ser? Atualmente reprovo com veemência a forma com que você tem contato os seus dias. Odeio quando despreza o que a sorte lhe traz. O renovo faz parte da história de todo ser vivo meu caro e não seria diferente com você. Mania injusta de controle. Estou a fluir independente do esforço que você desprende para exercer domínio sobre mim. Já passou da hora de você compreender que tudo está arquetipicamente ligado e que se há algo solto nisso tudo, esse algo é você!

Vou dar apenas uma dica: Agarra, agarra o agora. O momento que chega vem para te atravessar, por isso, solta e deixa o arroto ir. Eu sei o quanto foi intenso, sei o quanto foi bom. Sei também o quanto você lamenta cada um dos teus erros, mas aprende rapaz, nada do que você fez ou deixou de fazer justificaria o rumo que as coisas tomaram no fim. Pode me culpar, eu deixo. Fui eu que passei sem perceber. Fui eu quem tirou as coisas do lugar. Fui eu que flui para o justo e o injusto também. Aceita. 
Celebro tua altivez e tua cabeça erguida. Celebro também a honradez de tua consciência limpa, mas escuta, não vou esperar por você.
Já estou indo, bora?
Assinado,
senhor de todos, o tempo!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

UM DIA MAIS AMOR

As vezes fecho os olhos e é como se ela estivesse aqui.
Ela não é você, eu sei...
Ela teria compaixão. Veria verdade.
Não me deixaria sofrer.

Estou me preocupando comigo e o que me rodeia...
 

Amava sua inconsequência...
Sua verdade não dita.

Bom, se eu não sou ela mais.. então voêc está desejando uma pessoa que não existe mais... não da pra ser a mesma coisa sempre.. Principalmente depois de tomar tanto na cara por ser tão permissiva..

Você que diz a todo momento que não é ela. Você que traz um discurso como um troféu, como se nada pudesse redimir ou mudar.

Amava pertencer
Amava preencher
Amava zelar.

Amava a forma com que fazíamos as pazes
Amava a forma com que tudo se encaixava ao final de um grande temporal
Amava fazer piadas e inventar coisas só para fazer vc sorrir
Amava importuná-la com carinhos assim, no meio da noite
Amava o cheiro de banho tomado e o frescor de pele hidratada

Ainda amo.. ainda quero.. mas quero.. peço a Deus que seja alguém que me ame como sou sabe.. Que tenha orgulho, que participe e que ria comigo e não de mim.
Que me coloque para cima quando eu estiver para baixo.


Amava estar com alguém capaz de rabiscar a fronha de forma misteriosa...rs
Amava os quitutes
As experiências culinárias
A cumplicidade na obsessão por copos de vidro...

Caneta no cabelo, acidentes... Mas você não amava isso.. sempre tão rude.

Amava o pijama que não servia
Amava as noites sem sono
Amava os pseudo porres.


Amava os vídeos caseiros
Amava os efeitos photoscape sempre presentes
Amava o "oi amor", sempre sincero seja no telefone, no encontro do almoço ou nas idas à UFLA.
Amava a pureza inicial
Que se estendeu por todo o tempo de forma diferente
Mas sermpre presente.

Amava as noites de Pânico...
sempre tão juntos...
Pensamentos e critícas tão parecidas.

Amava me fazer o forte
Me revelar o complexado
Ver o esforço em marcar um médico, mesmo sabendo de toda a minha resistência.

Amava cada preparativo
Cada esborrifar de perfurme
e com ele o pensamento de uma noite promissora.

Amava as porções
Os vinhos proibidos
As ideias na cabeça....

Amava a sensação de que com você
Não haveriam problemas maiores do que eu.

Amava sua presença em cada domingo, me ajudando a enfrentar a dura segunda feira...
Amava sua cara estampada, junto, ao meu lado, nas saídas de manhã...
Amava a conexão que se estabelecia o dia todo aqui.

Amava os favores correspondidos...
A apreciação por cada cantor ou música descoberta...
A cumplicidade na hora de baixar...

Amava a ideia de nos pertencermos... haja o que houver!!
Amava presenteá-la...uma, duas, três vezes...
Amava temer sua iniciativa, e achar uma loucura gastar comigo...
Amava saber que você de fato gostava do que eu te dava...Era como se eu fosse você!!

Amava sonhar contigo.. Mesmo sendo eu a noiva...rs

Você só entendeu o valor disso agora, eu sempre soube por isso sempre voltei..
Ainda que não fosse desejada
mas o tempo agora é outro pra mim...

Amava sua entrega
Muitas vezes contraria a razão..
Amava seu espírio louco e aventureiro, desde que eu fizesse parte da aventura...
Amava a forma com que resolviamos nossos problemas,
Era desgastante, eu sei...
Mas era real!

A gente se encalfinhava e só parava quando conseguíamos pensar igual a respeito do que tava pegando...

Amava o meu fogão novo e limpinho até passar a amar sua presença e sua intenção diante dele...
Amava quando você chamava a Olga e mostrava quem você era
Amava nossas tentativas frustadas de paseio, viagem, aventura
Amava quando você ousava caminhar em direçao ao seu futuro mas se permitia ficar comigo no presente!
Amava mesmo...

Não consigo deixar de amar nada disso...
Não consigo fingir esquecer tudo tão intenso e bom...
Ahhhh.... Amava sua loucura sonambulenta...De ver gente querendo entrar em casa de madrugada...
Sei que quando diz que só entendi o valor disso agora, não fala como minha noiva...
Ela jamais diria algo deste tipo...

Ela saberia sorrir e dizer... "Ahh amor, que saudade que me deu agora!"
Ela apertaria os olhos e não teria outro pensamento a não ser tentar expressar reciprocidade...
Ela também se lembraria de outros tantos momentos compartilhados
E a esta altura já teria digitado um texto imenso, sobre amar, viver e sentir!

Ela veria verdade em tudo que sou e em nome dessa constatação deixaria suas malas de razão ao chão e estenderia seus braços para mim...
Ela se renderia diante do meu perfume, do sorriso, do apego...
Não suportaria o vazio da ausência em nome de nada... Nunca!!
Me ensinaria através de atitudes e não só falando, falando, falando
Ela estaria com seu coração calmo e tranquilo a esta altura...
Ela teria convicção de que Deus estaria no controle de todas as coisas e jamais se vangloriaria de assumir o controle de sua vida!

Ela entenderia que tudo tem um propósito...
E que acima dela reina um Deus que vê e julga todas as coisas...
Ela não seria ansiosa
Ou se fosse, me diria!!!

Ela não iria concordar com tudo..Lógico...
Mas estaria aqui discernir!!

Acho que ela jamais faria distinção de sentimento em nome de cuidado com os familiares...
Pois desde sempre saberia que eu havia sido seu parente, tal como os outros

Ela saberia que em um momento de pânico e necessidade...
Na medida do possível
Eu deixaria os meus afazeres
Buscaria recursos
e embarcaria com ela para ser não o braço forte...
Mas para ser o abraço que ela iria precisar!!

Ela saberia que por mais dolorida que fosse a perda
Incomensurável
Incomparável...
Jamais iria abrir mão do seu amor!

Entenderia que para compartilhar a dor da perda....
Não precisaria necessariamente matar ninguém...
Ela me traria para perto na hora de maior precisão...
Ao invés de me recusar.
Não tomaria uma decisão impensada como algo contínuo,
Nunca
Jamais.

Ela saberia o poder do perdão...
Saberia por sentir
Por receber...
Muito mais do que por dar...

E perdoaria,
E amaria,
E se renderia.

Essa era a minha noiva
Essa é a pessoa por quem me recuso a prosseguir!

Leu tudo o que eu disse?
você leu?

Estou com Sono. Amanhã meu dia é cedo e a semana puxada..

É..
Ela não está mais ai.
Desculpe por tomar seu tempo
Use essa sua capacidade
E desvalorize tudo isso...
Afinal, não é para você... é para ela!

Já vai agredir.. Estava demorado... Boa noite!

Uma última coisa, e é claro, você só fará se quiser...
Mas se em algum momento do seu dia tiver
Nem que seja um milésimo de fração de segundos com ela...

Por favor
Diga a ela que a amo com tudo que eu sou
Que a desejo com todas as minhas forças
E que mesmo sem querer
Estou a esperar por ela, a cada segundo da minha vida!
Boa noite!

sábado, 9 de maio de 2015

A GENTE VOLTOU!!

Polícias abaixem as armas
E troquem carícias
Que a gente voltou.


Bandidos de gorro
Não subam o morro, relaxem
Que a gente voltou.


Mas e se a gente separa
Se a gente para e se parará.


Para que se a gente para
O mundo acabou.


Médicos nas UTIs
Larguem seus bisturis
Que a gente voltou.


Pacientes à beira da morte
Reparem que sorte:
A gente voltou.



Você que tá no titanic
Parou o chilique
Que gente voltou.


Não entra na bad, Romeu
Julieta morreu
Mas a gente voltou.


Clarice Falcão

sexta-feira, 20 de março de 2015

CORRER É PRECISO

Quando os dias parecem longos demais e por esta razão você come além da conta e porque comeu você dorme e porque dormiu você acorda com a sensação de que nada viveu, você se lembra: correr é preciso.


Quando os pensamentos são maiores que a sua cabeça e você de pensar quase se funde. Quando não consegue nomear aquilo que sente e por não nomear, você não fala sobre e por não falar você empilha sentimentos, nesse instante de febre você se lembra: correr é preciso.

Quando o dia nublado reflete seu estado de espírito e você até  tenta chorar mais não consegue, você vai até a janela o observa aquelas lágrimas que caem do céu e escorrem pela vidraça. Você sente inveja do tempo por perceber que pelo menos ele se expressa. Nesse instante você pensa: correr é preciso.

Quando os sonhos são expressos em números, e os números em valores, você se dá conta que ter não é ser. Nesse instante, com as mãos no bolsos você lembra que correr é preciso.

Quando a música enjoa e a TV empobrece, você se lembra de quem é e se alegra, por saber que lá no fundo,  você é a sua melhor atratividade. E por lembrar disso você corre, porque correr é preciso.

Quando a insatisfação ganha contornos e os contornos volumes, você descobre o quão sabotador de si pode ser e daí com empenho... você corre, porque correr aqui é mais que preciso.

Quando a solidão grita aos seus ouvidos uma verdade que lhe constrange, e você no ímpeto de fugir... corre, corre porque correr é preciso.

Quando o dia amanhece, traz a sua memória a expectativa que o novo dia anuncia, você se revigora e para se conectar a esta energia, você corre, corre porque correr é preciso.

Quando você corre, percebe a vida fluir por entre as veias. Ouve sua própria respiração e se alegra na certeza de estar vivo. Vivo porque viver é preciso.

sábado, 14 de março de 2015

TODAS AS VEZES QUE MORRI

Quisera eu me aventurar em uma descrição que tratasse única e exclusivamente de vida, num relato farto de conquista sem agrura, ou apostasia de infelicidade.


Quão bom seria tratar da minha história sem encontrar nela os pontos, as reticências e os parênteses sem fim. Digo isso levando a efeito o perplexo censo de realização pessoal que nos move. Ninguém se realiza ao analisar um  declínio, somente Newton ao formular a Lei da Gravidade, talvez.
Mas não só de acertos se constitui uma história, e da mesma forma, não só de erros se constitui um caminho trilhado. A vida é uma longa estratégia.

Trago em minha consciência, todas as minhas falências, acomodadas no mesmo patamar dos meus acertos. Sim, porque não haveria de me envergonhar de todas as situações onde existi. Mas o conceito de existência que abordo aqui me é bastante relativo. Uma vez que minha existência nem sempre precedeu minhas mortes. Em alguns casos, posso dizer que fui morrendo aos poucos.

É claro que a morte que descrevo é uma alegoria representativa de uma angústia. Não morri de fato, pois se assim fosse, isso seria um psicografismo, ao invés de meras doses de angustia.

Até onde recordo, a primeira vez que morri, eu tinha por volta dos sete anos de idade, e estava indo fazer um exame de sangue, acompanhado de minha mãe. Lembro-me de sua recomendação, sobre o meu bom comportamento durante o ato clínico, dizendo-me que a picada da agulha não doeria nada. Doeu, e aos sete anos, aquela picada foi considerada a maior dor da minha vida. Só não doeu mais que a sensação de que minha mãe havia mentido.

Morri por uma mentira.


Avançando um pouco mais, fui descobrindo o sentido das coisas e assim, escolhendo de uma maneira quase coerciva o que era melhor pra mim. Passei a compreender os valores cristãos e a praticá-los, no dia dia. Vi meus amigos, um a um, se distanciarem justamente na fase em que talvez mais precisei, e assim, como alguém que se despe em uma noite de frio, me vi sozinho.

Morri por um valor.

Mas como a morte é um fenômeno que ultrapassa as barreiras que impomos. Passei a morrer por dentro exatamente quando descobri que as ilusões da vida eram na verdade aquilo que pretendiam ser: ilusões. Assim, cheguei a idade adulta, não inteiro mais cheguei. Morri para o mundo e para as coisas que nele há.

Morri por um sistema.


Tão contraditória essa nossa forma de existir. Lá para as tantas, assombrado pelo medo de não ser, ajuntei todas as minhas mortes, e num ato impensado, repudiei a minha vida, entrando na justa forma de alguém que lamenta.

Dei os ombros a moral e fui ser quem não podia. Negociei meus valores com a morte. Foi quando decidi morrer diante da porção que me trazia vida. Fui viver a minha repulsa.

Morri pra mim.


Duro entrave se formou. Como existir a partir de então? O que me restou?
Optei em prosseguir no caminho desconhecido. Viver as próprias vistas; como um cão sem dono.

Dei vazão as pulsões, e pude reviver a maioria das minhas mortes.
O problema se estabeleceu quando descobri que não havia vida em nenhuma delas. Ora, ninguém vive uma morte. Tal intento ainda é uma forma de morrer.

Tudo isso efetivamente mudou quando topei com alguém que venceu a morte.
Ele sim me explicou que o caminho não se finda quando termina, e que a cada insucesso há um grandioso aprendizado.

O vencedor pode então compartilhar dessa vitória, e me fez morrer novamente para o destino que se firmara.

Morri para a morte.


Hoje ainda vivo cercado de mortes, mas afirmo com precisão: Nenhuma delas jamais haverá de me levar a inércia.

Mesmo não chegando inteiro onde estou, carrego em minhas mortes a certeza de que existo sobre todas elas.


Ele me ensinou, e eu o segui. Não sou como Ele é, mas também não sou quem eu era. Domino todas elas.











terça-feira, 10 de março de 2015

ELE, ELA E O FUNERAL PEDAGÓGICO - UM ENSAIO SOBRE O AMOR E A VIDA

Ele um sonhador, aventureiro... Ela um projeto, indeterminado, pulsante...
Se cruzaram por intermédio de amigos incomuns, um tanto sonhadores e pulsantes. 

Ele estava a procura de um amor que complementasse sua fase de colheitas existenciais, já ela, a procura de um espaço para voltar a acreditar no tal amor e no seu poder curativo. 


Não combinavam em quase nada: ela do riso fácil, largo e alto, ele da postura militar, de poucas palavras e muitas assertividades. Em suma: ele um chato disposto a amar, ela uma menina linda ferida pelo que pensou ser amor.


Isso tudo acontecia em uma época em que as pessoas não viviam só pelo dinheiro ou status. Por isso, era mais fácil juntar os amigos, celebrar as noites de sábado, levar mais vida para os apartamentos tão quietos.

Naquela época não se ganhava dinheiro, nem se trocava grandes pessoas por ele. Naquela época, éramos cercados de gente firme que se importava com a nossa vida e história, cada qual a sua maneira, estando perto ou nem tão perto assim.
Naquele tempo, a fama era construída pela postura, e as pessoas cantavam a uma só voz acerca de um amor libertador.
Não rara as vezes em que se esperava bem mais do que podia se oferecer, mas mesmo assim, estávamos ligados por uma espécie de identificação, respeito e admiração que sempre nos impulsionava a seguir adiante, e de preferência acompanhados.

Foi nesse tempo que ele a encontrou. Ela não possuia um olhar de ressaca, aliás, acho que ela nem sabia o que era isso. Pertencia a outro universo.
Ele não sabia também que a amaria, mas nenhuma premeditação haveria de fazer sentido em uma época em que se valorizava muito mais o que se vivia no presente.

Pois bem, quando ele falou, ela ouviu, quando ela sorriu, ele a notou. E assim, quando ele se pegou pensando nela durante o trabalho e ela  achando sua falta na reunião como os amigos, se deram conta de que uma parte de si havia entrado dentro do outro e que a partir de então, deveriam fazer todos os esforços para reajuntarem as partes. 
Sairam, sorriram, conversaram e diferentemente da maioria dos casais, não se encontraram um um "primeiro beijo", se encontraram em um primeiro abraço. Ele sentindo o calor dela, o cheiro dos cabelos, a segurança de estar em um lugar do qual em toda sua vida, jamais iria querer sair. Ela ofegante, ela preocupada, ela com medo de se render a uma incerta... outra vez!

E agora? Perguntou ele. Agora eu não sei. Respondeu ela.
O que vem após um abraço? Questionou ele (aliás, tal comportamento o seguiria por toda a vida). Não fala. Retrucou ela.

Ele sabia que aquele momento seria crucial na sua mania de viver durante vinte e quatro horas. Se ele a beijasse, demonstraria que já a amava. Se não a beijasse, a cena deixaria claro que não haveria nada mais além da amizade. Isso que para ele não havia garantias de que ela o aceitaria, haja vista conhecer o seu sofrer.

Mas o amor tem disso, se apresenta em circunstancias muito particulares. Tanto que não são todos os que o notam. 

O amor pode estar em baixo de uma pilha de papel, dentro de um escritório monótono e um dia de poucas palavras.
O amor pode estar estacionado na via, em baixo de uma janela que dá vista ao horizonte.
O amor pode estar em simples palavras, dessas que fazem as pessoas pararem por alguns instantes e quase se esquecerem o quanto pode ser duro viver.

O amor estava ali, e os fez se entregarem em um abraço que virou beijo, que virou vida que virou cumplicidade.

Mas o tempo não para e sua ordem não media conceitos nem se dobra diante de justificativas. O tempo mudou. As pessoas mudaram.

Ele ingressou na faculdade, se formou e hoje estuda em que área atuar. Ela também se formou em um período de grandes turbulências e perdas e hoje lida com o que sobrou das baixas que sofreu tanto fora quanto dentro de si.

Até onde ele sabe, hoje ela se projeta como sonhadora, aventureira. Vive por um momento que não o presente. Acredita bem mais no valor das coisas. Já ele se tornou um projeto indeterminado e pulsante. Não quer mais ver a vida como ela se apresenta.

Dia desses eles se cruzaram, em um velório. Ele havia ido ver um amigo da família morto por algum motivo. Ela havia ido até lá na certeza de o encontrar.

Rafa. Chamou ela quando o viu. Oi, você por aqui? respondeu surpreso.
Precisamos conversar. Sim, mas primeiro preciso ir até o encontro de minha família.

Sua família está aqui. Disse ela apontando para o ventre. Ele então parou.
É isso, estou grávida. Mas como pode? inconformou ele permitindo passar em sua mente um filme de todos os bons momentos que viveram juntos e o quanto a eminência de um filho, àquelas épocas, o atormentavam.

Em meio ao ambiente de luto que se encontrava, sentiu uma espécie de alegria por incutir naquela notícia, a possibilidade de manter ela que era a mulher da sua vida, para sempre ao seu lado.

Ele percebeu ali, o fim daquele resto de sua vida que havia se instalado desde o término do relacionamento. Percebeu a chegada de um novo tempo de possibilidades e de afeto. Sentiu naquele momento de poderia ser algo além daquele ser do qual já não queria mais.

Mesmo assim, ainda adentrou naquele ambiente onde achou sua família a beira do morto, que para o seu espanto era o seu irmão. Ninguém havia lhe contado. Uma surpresa mais que indesejável. Aquele era um dos irmãos mais velhos e era a representação da lei para a família.

Naquele momento ele se deu conta de que seria a sua própria representação da ordem, e que , talvez, haveria de ser necessário o falecimento da lei que conhecia para o nascimento da esperança. Entendeu por ele mesmo o que a cena lhe propunha: Sem a morte da razão, não haveria de tomar conhecimento do glorioso fruto do amor.

Naquele instante ele decidiu nunca mais deixar passar as oportunidades que a vida lhe concede.

Entendeu que a sua vida, é a sua vida, muito efêmera para ser vivida apenas nos momentos de encontro e reencontro.

Ele viu que a vida é plena e não flui em uma linearidade a que se pretende.

Ali, em um velório, ele teve um grande aprendizado: De que as pessoas são o que são e que as oportunidades nascem e morrem em uma mesma história e não isentam ninguém das duas responsabilidades.

E assim, ele acordou.










sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

CICLOS

"A conquista é um acaso que talvez dependa
mais das falhas dos vencidos do
que do gênio do vencedor."
( Anne Louise Germaine Necker ) 



Minha lógica hoje não mais legitima todas as minhas ações, dada a incoerência quase que latente entre o discurso e a vivência, mas, mesmo assim, atrevo-me a compor uma base norteadora de minhas idéias que tendenciosamente acabam por se tornarem ações, a assim traçar indefensável registro dos meus dias. Uma construção racional.

 Confesso que a escolha da carreira profissional nunca foi objetivada diretamente pela radiação ética que emana da civilização, ditando regras e tendências modulares, onde o viés econômico e o status social imperam. Até onde consigo lembrar sempre fui criativo com desenhos, textos e articulação de ideias. Se me perguntassem na tenra idade o que queria ser quando crescesse, responderia logo que era ser médico, devido ao descaso  com que era obrigado a conviver sempre que minha mãe fazia uso do serviço de saúde pública.


Já na adolescência, após concluir o ensino médio, trabalhei em uma fábrica de lâmpadas incandescestes, uma micro empresa que fabricava roupas em malha e uma gráfica, sempre atrelado aos irmãos e parentes que “abriam as portas”. Após um período dilacerante de desemprego, já com os sonhos que antes eram cultivados como promessas de conquistas se transformando em tormentos em minha mente, recebi o convite de um amigo para participar juntamente com ele do concurso para a Polícia Militar de Minas Gerais. Ao ser aprovado, fiz um curso técnico de 11 meses onde recebi todas as diretrizes desta nobre profissão. Me tornei um militar (com direito a todos os estragos que ele produz na minha regulação de superego), desejei sentir mais do que apego pela carreira militar, desejei mudar o mundo.

Antes, porém, me recordo agora, que por não estar trabalhando naquele período, dediquei-me inteiramente a participar de um grupo de socorro espiritual de uma igreja evangélica de onde pertencia. O grupo atendia pessoas que sofriam por uma série de condutas e envolvimentos adquiridos em um estilo de vida anterior ao que se propunham doravante.

Fazíamos uma série de orações, com imposição de mãos e declaração positiva de fé. Tudo em nome de Jesus, autoridade maior de onde incidiam todas as nossas diretrizes. Muitas pessoas apresentavam comportamentos característicos de crises psicológicas, ao que denominávamos como possessões demoníacas. Não foram poucos os casos onde éramos acionados antes da Polícia e ao chegarmos ao local, através de orações e confrontos espirituais, expulsávamos as entidades malignas que regiam a conduta de uma determinada pessoa, impedindo assim que um crime ou mal maior ocorresse.  Mas na maioria dos casos, a PM era acionada antes de nós e assim as pessoas que eram molestadas pelas entidades passaram a ser vistas apenas do aspecto racional.

Avançando para a fase militar, eu passei a ver a Paz Social como um ideal, e não como uma utopia. Vi-me as voltas com o processo de combate à criminalidade, até que, já vencido pelo peso do sistema, frustrei minhas ideologias e percebi que a opção era minha em me enxergar como um número. Ali a força do tradicionalismo imperaram sobre meus sonhos.

A todas essas comecei a perceber que nem tudo era resolvido no processo de conversão de conduta, nos pressupostos de um dogma de fé, e que de forma quase antagônica, também não havia progresso só na observância de aspectos legais e morais. Logo, haveria de existir um campo metafísico na junção dos aspectos filosóficos e socioculturais.

Já empregado, decidi incorrer as fileiras acadêmicas, tendo como primeira única opção a Psicologia, buscando alento em aspecto divergente de tudo que havia experimentado.

Cansado de alguns ideais, e com uma ânsia por saber da constituição fenomenológica da humanidade, busquei com afinco entender e absorver cada princípio teórico que mais fazia sentido para mim.

Com muita sobriedade procuro distinguir os pressupostos que orientação minha atuação profissional, ao passo que estou ainda a me encontrar no emaranhado de razões, causas e definições do comportamento e da existência humana.

Certo é que nesse ínterim, faço valer a máxima do caos criativo: Somente beirando uma exposição de conflitos, posso observar melhor a tomada da ordem, ainda que interior.

Chega de viver a sombra de nossos próprios temores... Altruísmo para mim é mais do que uma parcela de dedicação dispensada ao próximo. É saber do próximo quem ele é para por intermédio dele também saber quem eu sou,  e assim,  perceber a riqueza do movimento na gênese da própria essência humana.
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sábado, 20 de dezembro de 2014

TEMPO DE CRESCER

"...antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo...” (Ef.4:15)
 
Um desafio muito grande bate à porta no ano de 2015. Ou passamos a viver uma vida mediada por um firme fundamento de fé coesa ou corremos o serio risco de sermos mais um a deriva da superficialidade.
 
Crescer é uma aptidão propensa em todas as áreas. Se o crescimento físico angaria dores adolescentes, imagine a dor de um crescimento geral, desses que abunda nossa mente e doutrina nossos atos? É ai que muitos manifestam a imaturidade, pois vivemos um tempo seletivo de crescimento. Acredito que, quando bem aplicada, a fé cristã nos leva ao crescimento e à maturidade, nos fazendo suportar todas as dores e desapegos de nossa meninice.
 
Talvez você conheça alguém que, sendo adulto, se comporta como criança, não na pureza, mas na infantilidade. Isto acontece por conta de uma expectativa que se diz ter, mas não se vive. Creio também que alguns se infantilizam, porque é mesmo mais cômodo viver como criança: isso tira as responsabilidades. Permanecer criança nos poupa das dores do crescimento, lógico. Entretanto somos roubados da oportunidade de vivermos uma vida cheia de significado.
 
Crescer dói. Mas é necessário. É realizador! É “abandonar” posições confortáveis, é deixar o que é seguro, é começar a subir  em direção as conquistas e verdades que existem até então apenas no campo das ideias.
 
Crescer é recusar a permanecer sem frutificar. É romper com o passado estéril, e sair em busca de novas conquistas. Quem cresce entende que o seu maior inimigo é o seu ultimo sucesso.
 
Crescer dói porque nos leva a dar um passo quando queríamos ficar parados. Se não temos crescido devemos olhar o que tem impedido esse processo. Quase sempre o motivo é que desenvolvemos “apegos” à nossa forma de ser.  São laços que nos impedem de dizer adeus à nossa infância descompromissada, às nossas manhas e as nossas manias, que roubam a nossa capacidade de pensar como um sujeito autônomo (se é que essa dicotomia existe). Temos que decidir sempre: continuar com a nossa estatura ou decidir ir mais além? Crescer dói, mas se não crescermos estaremos fadados a mesmice, a sermos reféns de nós mesmos.